O CONFRONTO COM OS HUMANÓIDES.
“Depois que os mil anos terminarem, Satanás será solto da prisão e sairá para enganar os povos de todas as nações do mundo, isto é, Gogue e Magogue. Satanás os juntará para a batalha, e eles serão tantos como os grãos de areia da praia do mar. Eles se espalharam pelo mundo e cercaram o acampamento do povo de Deus e a cidade que ele ama, mas um fogo desceu do céu e os destruiu”.
Apocalipse 20:7
Tzolkin -31.072, 5 Luas, 15 Kin -07:14:99.
Neste momento Apuama traçava em sua mente um plano mortal para atrair o Poxy Tiyug e arremessá-lo ao fosso do tempo eterno, pelos séculos dos séculos. Sua irmã feiticeira, Mboé Tembé, que lhe amparava magicamente, com a graça do grande Eçá Ybaté, descansava, dormindo, a muito, profundamente.
Na lapa em que eles estavam, apenas Apuama não dormia, acordara antes, bem antes do amanhecer e não se ouviam ainda o canto dos pássaros ou dos animais no caminhar que por certo se teria pela relva úmida carregada de musgos. Tanto os que voam quanto os que não acordariam para a procura de alimento como em todos os amanheceres do longo tempo da Terra.
O fogo não estava aceso e nem a chama artificial de Akitãi Ybacobí (o sol sintético) brilhavam lá dentro. Penumbra que era. Havia sido desligado na esperança de economizar-se a energia para dele poder usufruir noutras noites piores, que poderiam vir na busca do ameaçador e inimigo poderoso Tiyug.
Nos muitos lugares, onde morcegos escondiam-se entre as fissuras da grande rocha enegrecida esculpida pela milenar natureza, permanecia a umidade, prenuncio da intermitente neblina lá de fora, e que naquele instante começava a se deformar. Lá ao longe, o orvalho duradouro dava ares de enganar, não se dissipando tão logo, deixando tudo na cor branca ajudado pelo brilho da lua cheia que ainda teimava em brilhar. Deformou-se rápido. Se foi não se sabe para onde, levado pela leve brisa matutina. Se já estava meio longe, ficou mais. Ali não estava também. Sumiu misteriosamente.Apenas a úmida relva rala que deixou da frente da entrada da grande gruta, feita naturalmente na montanha, o delato de que por ali ele ficou por bom tempo.
Apuama aguçou os ouvidos para entender o som que vinha da floresta. Parecia que no sonhar ouviu um pássaro a soar seu canto longínquo para avisar que o Sol despontava. Apuama bocejou depois desse pensamento.
O sucessor sempre tinha a natureza como aliada e esta sempre lhe contava as coisas futuras que iriam acontecer. Acreditava, ele, que a floresta não lhe continha a contar algo além do que poderia saber. No silencio que se fazia o matagal parecia que todo ele estava duplicado. E cada ronronar de animal ou quebrar de galho, ou mesmo o bater das asas de um pássaro, tudo era motivo de barulho mais acentuado em seus ouvidos. Ficou assim, prendendo a respiração e, apenas, ouvindo. Percebendo o que a floresta poderia lhe contar. Sabia que algo haveria de acontecer. E o amanhecer sobrevinha cheio de calor e mais um dia para dar. Apuama, apenas a escutar, deitado, prestava atenção na floresta. Seu cérebro procurava as formas de luta que teria que enfrentar, enquanto ouvia quase nada do mato. Ele estava certo de que iria enfrentar o grande e malvado Poxy, o mal maior do Universo, e não acreditava como poderia ele, tão simples, poder consumir com a vida de tão horrível criatura. Inclinou mais o pecoço para pender a cabeça e deixar seus olhos verem um pacato Tatu caminhar na frente da entrada da caverna onde estava abrigado. Depois, alertou o olhar mais para cima e uma pequena mangangá ameaçou entrar na caverna e desistiu, indo embora, com seu zunido. Amanhecia, dia claro. Aquilo era o sinal da natureza para ele. Tinha certeza. O tatu representava a proteção e o vôo da mamangava até a entrada da caverna era o aviso de que o Tiyug vinha vindo.
Estava frio, naquela madrugada de dia lindo. Apuama começou a bater um pouco os pés, um contra o outro, na intenção de aquecê-los. Não havia fogo, apenas as cinzas sobreviventes ao orvalho grosso e que se tornara gélido que tentava havia tempo penetrar em seus ossos. Por isso os bateu para ativar a circulação e mantê-los aquecidos. Assopra as mãos em forma de concha, para aquecê-las, também. Deste jeito, pensou estar na hora de levantar e caminhar pela mata, como de costume para aguentar o frio úmido. Quem sabe pudesse caçar um pouco, com o arco. Levantou-se. Um Caititu de bom tamanho poderia ser frito mais à tarde e do seu pêlo branco, depois de morto, do pescoço Mboé poderia fazer algum adorno para ela cobrir a cabeça. Um mamífero que Apuama desconhecia cientificamente, mas apenas pelo sabor da carne. Uma procura por aquela caça seria gratificante ao estômago que pedia ser cheio. Olhou, novamente, para seus pés, vestidos e bem presos no calçado de couro negro que ia até a metade da perna. Não brilhavam. Estavam com barro e sujas. Sentiu que seus dedos estavam com frieiras devido estarem na bota úmida tanto tempo, mas não pôde e que se esquecêra de tirá-las devido a aparição dos Sérter. Levantou-se e foi em direção à panela de ferro, preta pela fuligem, diferente da que Mboé havia usado para fazer o favo mágico de Pitúna Okéri e que nem um pouco, ainda, estava enferrujada como aquela. Não era bem água nova que tinha e havia há muito ficado, assim, borbulhando até parar pela falta do fogo. Estava, até então, ligeiramente morna. Continha uma espécie de chá, feito de uma frutinha vermelha, de amora da montanha. Pegou uma cumba e a colocou no caldeirão, retirando um pouco daquela espécie de calda morna para aquecer o estômago e combater a fome. A bebeu, lentamente, olhando para o topo das sequóias gigantes que deixavam apenas parte do céu azul quase claro aparecer. Ficou assim, ante, observando os galhos que se ramificavam para o céu à procura de claridade. Pensava se os Assuriní seriam assim como galhos à procura da luz. Se haveriam de evoluir na nova terra.
Pensou firme: — Vou me proteger bem com o escudo, fechar bem minha armadura de couro no peito e ficar alerta, pois sei que o Tiyug está aqui. – estava Apuama preocupado.
O sucessor, então, olhou adiante, para além de algumas árvores e lhe pareceu ver um vulto. Poderia ser uma caça. Tornou a olhar, agora, melhor para o final das árvores do caminho que dava para a floresta, suspeitando, até acabar no rochedo, atrás de um tronco o qual havia sido derrubado por um raio, cheio de carvão que estava, há algum tempo quase coberto pelas pequeninas samambaias do mato.
Destemido a avançar pelo caminho de relva fresca, úmida do orvalho que caia feito garoa. Começou a aguçar bastante seus ouvidos em direção do tronco semiereto, ao longe que ainda estava dele, ouvindo os pingos que caiam das folhas das grandes árvores, formados pelo orvalho morrido e que lhe atrapalhavam no perceber se havia alguma coisa lá. Ele não abaixou o olhar, por nenhum momento, e teve que controlar o piscar dos olhos. Quase ardiam. Era como um treino antes de uma boa luta. Um bom golpe sempre vinha de olhos aguçados.
— Só mais alguns instantes. - pensou Apuama, caminhando como um tatu. — Apenas mais alguns... – e segurou o suporte de metal onde prendia a corda de aço shillano.
Alguns metros à frente parou, estático e viu que tudo estava calibrado e certo para o tiro. Somente desviou o olhar rapidinho e uma coisa lhe passou à cabeça como relâmpago de raciocínio. Apenas atirar abaixo do tronco, por entre as folhas. — Seria fatal. – brilhou no cérebro a ideia do golpe.
— Mas, e se lá houvesse alguém e o estivesse, também, observando seus movimentos? - pensava Apuama. — Pronto a atirar?
— Melhor se precaver! - e agachou para proteger-se de um possível ataque de alguma coisa que pudesse vir da direção do tronco grosso caído. Suspeitava, por questão de instinto de sobrevivência.
Considerou a distância e o Sol que lhe clareava o lugar. O aquecimento obrigava ao que restava do orvalho a ir se dissipando, estando apenas nas rachaduras da parede de rocha da montanha banhada já pelo irradiar da manhã, a cintilar na forma de vapor. Evaporando. Se indo embora e dando vazão ao calor terno e aprazível.
Procurou instintivamente e bem treinado pela flecha, pondo a mão para trás das costas à procura dela, onde os dedos certeiros encontraram a ponta em pena e começou a retirá-la lentamente, ficando o resto do corpo imóvel, como uma estátua, na tentativa de se mesclar ao ambiente verde musgo do caminho, onde estava. Não se mexeu, por um pouco mais de tempo. Puro instinto.
Apuama já sentira muitas vezes aquela sensação. Sabia que ali havia um humanóide, e que não era nada de caça, senão teria aparecido. Sentido o seu cheiro, se mostrado e fugido. Portanto, haveria de haver muitos outros ali. Quiçá, este ali, fosse um batedor descuidado e ingênuo que deu de cair por ali e se perder, e agora escondido de medo nem sequer percebe que está na alça de mira do arco, pronto para morrer. Este era o destino do perdido.
O sucessor sentia um pouco de ódio quando estava naquela posição de ataque, pois lembrava da guerra e dos combates para defender a admirável e florescente Anassanduá, que iria tornar-se, um dia mitológica. Era o passado retornando em sua mente. Ele não compreendia direito em como ficava naquele estado eriçado, lembrando de todo o seu passado com o estômago em fome, com frio, vivendo em cavernas, sempre acordando com a sensação apática e insensível, ante a baixa temperatura e alta umidade. Lembrou dos tempos em que vivia na grande cidade, de como dormia bem e aconchegantemente, sem sentir o chão duro e frio, com cobertas cheirosas e lençóis... A namorada... Quase esposa, mulher...
— Lençol...
“Há quanto tempo!
“Rudá!!!” - e quase pensou alto...
— A porta!
“A tranca!
“Rudá!
“Há quanto tempo não ouço o barulho!
“Da tranca!!!
“Adorável barulho!...”
— Ou de quando o vidro se quebrou derramando a água que continha...
“Rudá!!!
“O vidro caindo e o seu barulho em vários pedaços!
“O som produzido.
“Que saudades!!!...” - e continuou a sua prece, meio que remoendo em mágoa.
— Ah! Rudá.
“Não me deixe morrer aqui!
“Imploro-lhe, Rudá!!!...” – seus olhos começaram a ficar turvos obrigando-o a se conter. A gravar em seu coração tanto rancor e tristeza ao saber que estava só e que poderia ali morrer. Segurava-se.
Alguém com coração, ele nem buscava mais, desiludido que estava. Não sabia se deixava morrer ou matava-se para não morrer.
Ali. No meio do mato. Tanto fazia. Ninguém o viría.
Mas, estava em guerra o sucessor Apuama Irupé, ele não esquecera das traições, e a primeira coisa que fez foi desferir a certeira flecha em direção ao vulto que se entremeara nas folhas. Ela zuniu, partindo em direção certeira como Anãtití, deixando para trás o som a zunir e zás, abateu-se sobre o corpo do humanóide que gemeu e caiu, agonizando, ao solo, fazendo a relva estremecer e, depois, o baque ao chão em silêncio, como um fardo velho de batatas.
— Mais nada! Já era! – foi o que eu pude ver.
— Talvez na próxima vez seja diferente e eu me deixe morrer! – pensou apuama. Não muito feliz.
Apuama não teve tempo nem de gritar, dada a quantidade de soldados humanóides que caíram sobre ele.
Gritando e empurrando, corria em direção à caverna, pois estava apenas com o arco e não tinha tempo de pegar outra flecha, senão poderia levar uma. Muitas flechas lhe roçavam o corpo em barulho característico. Zunindo e em quantidade enorme. Uma braçada de flechas a lhe cair ao redor. Jogou, rápido, o escudo nas costas e saiu em disparada dali. Correu e conseguiu escapar, torcendo para que não levasse uma na perna ou no braço. Caíram muitas e ele veio com algumas presas no escudo, sem antes bater forte em dois ou três humanóides que tentavam agarrá-lo.
Houve um ruído e um bater, junto de uma dor dilacerante.
Sépia Aamo e Akitãi Ybacobí saíram aos tiros de iônio, derrubando um a um os humanóides agressores e inimigos, criados por Tiyug e que atacavam próximos, fritando-os, os quais contorciam-se até, muitos que eram, às dezenas, gritando com animais, lançando flechas com seus arcos e, muitos outros, meneando suas espadas no completo arremessar em ameaça. Levavam os tiros de iônio em carga máxima, sem dar tempo de mirar em algum deles, torrando-os, instantaneamente, ou apenas, ferindo, em dor, seus corpos. Muitos, devido aos tiros treinados e certeiros eram destruídos que nem mutilados ficavam, mas secavam, soltando fumaça ocre e malcheirosa.
Akitãi foi golpeado com um chute frontal no peito e rolou para dentro da caverna e foi empurrado, de tantos que vinham, fritando-se aos tiros à sua frente, até encostá-lo a ponta pés para dentro da caverna, na rocha. Estendeu a mão tentando disparar, mas não conseguia e só a sentiu ceder pelo impacto de uma espada que lhe amorteceu todo o braço. O sangue, imediatamente, começou a verter. A roupa rasgara-se pelas pegadas de mãos poderosas e fortes, viu que algo lhe mordia o pé e mastigava-o, lhe tirando pedaços que não doíam apenas queimavam, pois não havia mais a dor, somente o queimar. E continuam os humanóides enlouquecidos a estraçalhar tudo e todos, como demônios possuídos de ira, chutando os farrapos dos inconscientes Sérter.
Não sentia, Akitãi Ybacobí, os pedaços que saiam de seu corpo mais, apenas que sua mente vagava no espaço, protegendo-se. Não acreditava serem eles tão fortes e poderosos. Não havia um contra-ataque. Só tinham ataques desferidos por quinhentas ou mais mãos e pés. Eram muitos. Um bando. Uma tribo inteira contra eles poucos.
Os outros estavam lutando, também. E defendendo-se e protegendo Akitãi e Apuama, tudo ao mesmo tempo. Sépia desferia seus raios contra a multidão com extrema maestria e inteligência. Fôra bem treinada para uma situação como aquela, mas nunca se imaginou naquela situação, sabia que algo ruim iria acontecer. O cheiro de carne queimada tomou conta do interior da caverna, que nem os morcegos escaparam, escondidos que estavam nas entranhas da caverna. Ela detestava estar no meio daquele teatro de horror com cheiro de carne queimada.
Xe Pó, idem, apanhava e muito. Mas, em vão, atirava, acrescentando mais ainda o odor de tecido vermelho de músculos humanóides carbonizados que tomara conta do lugar, tornando-o quase irrespirável. Jucassaba não podia mais atirar de muitos que eram os guerreiros do Tiyug, endiabrados. Sentia-se a respiração e o cheiro deles. A luta corpo a corpo chegara para Jucassaba que heroicamente desferia seus chutes e socos, matador que era. Estava cansando. Seus golpes não faziam mais efeito algum. Ficou sem ar.
Sépia, ainda com o bastão desferia golpes que arrancavam cabeças e o sangue quente jorrava atingindo-a e a fazendo se enojar ao ser atingida pelo líquido quente e denso. Perdera o seu atirador a iônio, não sabia onde ou como. Não podia pensar nisso, senão poderia perder a concentração nas defesas que fazia para preservar a integridade do seu corpo. Tinha que aguentar. Tinha que matar, senão seria morta. Levou por trás uma pontada. Era uma flecha que grudou em suas costas. Arcou em dor e levou um soco na cabeça, caindo, inconscientemente no chão. Apenas pensava em tentar sair do corpo e lutar noutra dimensão, e foi o que fez, dando de cara com o poderoso Poxy Tiyug. Curioso que estava pela valentia dela.
Sépia Aamo sem esboçar reação contra ele, achou que não devia horrorizar-se recua holograficamente e ambos afastam-se pela clareira cheia de buracos queimados, um perseguindo o outro em meio a setas e flechas fincadas ao chão. Foi em direção ao descampado e cruzou, em vôo. O outro, agora, detráz em mando rumo a um riacho. E ela sem olhar para trás e com a mão fechada, escondida perto do ventre, pronta para lançar o mais poderoso golpe que ela poderia desferir contra alguém. Sabia que o monstro a seguia. Que tinha pouco tempo. Ouviu o som da guerra ainda em andamento, pelos gritos dos humanóides perseguindo Pitúna Okéri e Abanã. Isto significava que os outros ainda lutavam e que existia uma esperança. Não se importava se estava ou não morta. Sabia apenas que seu sistema vital se esvaia rapidamente. Não poderia suportar por muito tempo. Precisava atrair o ng de Nebulo a todo custo. Olhou para trás e no ar, levou um chute no peito, que doeu, mas não tinha onde cair e fez força para suportar. A força do golpe a modificou em seu vôo. Aceitou o golpe, absorvendo-o curvando a coluna. Mas o impacto foi absorvido em parte, e logo outro fora desferido, sem dó ou piedade, contra ela, no mesmo lugar. Curvou-se, mais ainda, e sentiu a dor de algo se romper em seu interior, mesmo ferida nas costas, que estava. Respirou fundo, e não conseguiu, seu peito doeu em pontadas, fragilizando mais a fraca figura holográfica que era. Estava pairando a certa altura do solo. Não se movia e não conseguia enxergar o monstro, sua energia enfraquecia. Precisava pensar em espirar, senão seu corpo morreria. O Tiyug estava em cima dela pronto para desferir o golpe fatal. Ela sentiu o momento. Fez vibrar a mão em direção a ele e dela saiu um poderoso raio azul esverdeado, que ela nem imaginava possuir, tanta energia vital assim, a qual atingiu o Tiyug no peito, lançando-o longe, que deu um horrível urro. Surpreso, pela dor, o Tiyug, que nunca sentiu igual ou mais forte ficou imóvel, paralisado, analisando o golpe por algum tempo, pertinaz, recuperando-se. Isto deu um instante para Sépia, que mesmo fraca, vibrar o corpo em pensamento e voltar para seu corpo físico recuperando a vida nele. Imediatamente tomou um favo mágico que arrastou com muito sofrimento a mão para o cinto pegando-o, sem que os humanóides percebessem. Eles haviam parado de massacrá-la achando que estava morta e que haviam exterminado os Sérter. Puxou devagar, com muita dor, o favo para perto do seu rosto e o forçou com a boca. Parecia única coisa inteira que tinha, que eram os dentes, e o quebrou, machucando-a, mas nem deu tempo de sentir a dor e a energia permeou-lhe o corpo fazendo-a recobrar as forças.
Os invasores pensando que eles três estavam mortos descuidaram-se, pois o cheiro de carne assada era muito forte e de difícil respiração. Preferiram sair dali e respirar o ar de fora da caverna e esperar uma ordem do seu líder. Foi quando Sépia levantou-se e começou a puxar o que restara de Akitãi para o fundo de uma rocha, escondendo-o, todo ensanguentado que estava.
Os humanóides pareciam formigas em cima de Puã e Rudá que apanhavam bastante, dava para ela ver do interior da caverna, olhando pela abertura parte da floresta lá de fora, mas não estavam mortos. Não os estavam matando, apenas batendo. Já não tinham reação de defesa alguma.
Lembrou de Mboé e Pitúna Okéri.
Gritou por elas: — Noite Adormecida!
“Noite Adormecida!!!” – mentalmente.
Sentiu a resposta, na floresta, onde tinha uns cinco humanóides vestidos em armadura e espadas em punho, no encalço de Pitúna Okéri.
─ Corra! Logo estarei ai!” - correu seu holograma para avisá-la.
Pitúna Okéri viu a fisionomia holográfica de Sépia a seu lado, isto a fortaleceu a continuar a correr, achando que era real e nem desconfiou ser uma imagem.
— Feiticeira! – gritou Sépia procurando-a com olhar.
E a viu sobre uma grande pedra, defendendo-se com o escudo de policarbonato de lítio de Jucassaba.
Sépia Aamo pegou um favo mágico que Akitãi tinha e o quebrou lançando o seu líquido sobre o corpo desfigurado de Akitãi, que imediatamente depois de lhe percorrer uma centelha de luz, abriu apenas os olhos, torcendo de um lado a outro o pescoço, procurando saber haver arrebentado um osso.
— Você tem que lutar com o Tiyug.
“Vã!” – Sépia, não tinha que explicar nada, e dirigiu-se para Jucassaba Xe Pó Ambó, quebrando-lhe um favo mágico.
Jucassaba imediatamente levantou, depois de um clarão irradiar seu corpo, socando o ar, como se em luta corporal estivesse.
— Pare, Matador!
Todo o uniforme ensanguentado estava ficando ressecado.
Akitãi Ybacobí quebrou outro favo mágico em sua frente e o absorveu. Estava no meio de uma brilhante luz e começou a levitar e a claridade ao redor de seu corpo aumentou e ele começou a fluir para a outra dimensão: a Quarta.
Sépia pegou seu arco de fibra de carbono que estava ao chão e ao lado suas flechas. Pôs uma flecha com ponta de paládio-ilmenita e mirou em direção ao mais próximo humanóide de armadura de ferro que estava atacando Mboé, no alto da pedra. Foi um tiro certeiro. Ninguém percebeu de onde tinha vindo a flecha que transpassou a cabeça do atacante, que, imediatamente, caiu, dando chance a Mboé proferir algumas palavras mágicas, a gesticular com as mãos e as vibrando para lançar uma poderosa bola de energia semi-metálica, criada por magia, usando-se o selênio e o enxofre, em direção aos humanóides que a cercavam. E assim, incrivelmente, no combate corpo a corpo poderia ganhar certa distancia para receber supremacia sobre o inimigo, antes que este pudesse atacar mais. Desta forma, Mboé estaria em certa vantagem na troca de golpes e poderia escapar. Todos eles estremeceram e quedaram-se inertes ao chão mortos. Mais duas luzes, desta vez mais fraca foram emitidas, com um grito forte em direção a outros que investiam contra ela. Nisso ela leva uma flechada no ombro e curva-se. Mas, conseguiu ainda emitir o último raio em direção aos inimigos matando-os a quase todos.
Sépia atirava com seu arco em direção deles matando-os também. Pensou em Pitúna Okéri e correu em direção para a floresta, com toda a velocidade possível. Que para os humanóides dali, parecia que havia um vento a passar pela floresta.
Mal sabiam eles que cada humano modificado morto ali, deixava a sua genética desaparecer para o futuro. Assim, no futuro a história começava a se modificar. Cada morte no passado causava alterações em determinadas épocas da Terra.
Humanos simplesmente desapareciam sem deixar rastro algum, inexplicavelmente. Contam até que em determinados lugares da terra havia certos portais, misteriosos, que faziam as pessoas desaparecerem. Um deles era o triângulo das Bermudas, outro era um lugar nos montes Ural, ou ainda nas montanhas do Hindu Kush, ou no platô do Tibet, que se desmaterializavam inexplicavelmente. Na Irlanda e na Grã-Bretanha em determinadas épocas, também, ocorreram inexplicáveis desaparecimentos de pessoas, como que sugadas por uma espécie de monólito que, repentinamente, aparecia do nada e como um espelho, no ar, corria em direção a certas pessoas fazendo-as desaparecer por completo, quando tocadas pelo objeto. Nas cordilheiras Andina e Rochosas, ouve muito mistérios, também, diziam tratar-se de objetos voadores não identificados, os famosos U.F.O.S. Stonehenge com seu nome marcando as pedras grandes em círculo fora erigido e guarda o seu mistério. Seu significado era o de afugentar o mau, aludindo que elas, as pedras, poderiam voar e se tornar espelhos fazendo o invasor desaparecer.
China e Japão, Corea e Índia, também registraram em determinadas épocas da história os desaparecimentos misteriosos de pessoas, muitas delas importantes políticos e dominadores de tribos e clãs.
Akitãi Ybacobí estava de frente para o horrível e poderoso Tiyug. Sentia-se como um Ninja em frente ao Samurai, tinha receio se conseguiria derrotar aquele monstro. Sua armadura de aço e platina parecia possuir algo mais forte de metal e pouco couro. Akitãi precisava contar com uma infinidade de armas diferentes para rasgar a armadura. E naquele modo não tinha nada material apenas mágico. Voou em direção a ele num ímpeto de acabar logo com aquilo. Este recuou e falou, quase com voz de trovão, poderoso que se sentia.
— Não vou lutar aqui com você Sérter.
“No futuro nós iremos lutar.
“Agora no passado, não!”
— Covarde!
“É você, Tiyug.
“Escravizar tantas pessoas e matar tantas mais, inocentes.” – diz Akitãi, provocando-o à luta.
— Não vou falar com você Sérter. - e desapareceu, fugindo.
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| Esta imagem artificial foi criada por uma empresa que postou em meu Blog com o intuito de colaborar com a história do e-livro. Agradeço por ter tantos bons amigos. |


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